Janeiro de 2026 trouxe uma confirmação alarmante para a segurança digital global. Mesmo com o avanço da biometria e das passkeys, milhões de usuários continuam a facilitar o trabalho de criminosos digitais pelo uso de senhas fracas.
Relatórios de segurança recém-publicados, analisando vazamentos ocorridos ao longo do último ano, revelam que senhas fracas continuam sendo a principal porta de entrada para invasões de contas bancárias, redes sociais e e-mails corporativos.
Se você ainda utiliza sequências numéricas básicas ou nomes de familiares, pare tudo o que está a fazer. A inteligência artificial mudou as regras do jogo, e o que antes demorava horas para ser descoberto, hoje é quebrado em milissegundos.
O “Rei” da Insegurança Continua no Trono
Parece mentira, mas não é. Pelo sexto ano quase consecutivo, a combinação “123456” mantém-se como a credencial mais exposta e utilizada no mundo.
Segundo dados compilados pela NordPass e divulgados este mês, a preguiça digital supera o medo de fraudes. A persistência destas combinações indica que, apesar das campanhas de conscientização, o utilizador médio ainda subestima a capacidade de ferramentas automatizadas de “força bruta”.
Top 10: As Senhas Mais Perigosas de 2026
Estas são as combinações que deve eliminar imediatamente de qualquer cadastro:
- 123456 (O líder indiscutível)
- admin (Padrão em roteadores e sistemas esquecidos)
- 12345678
- 12345
- password (Ou a variação “Password”)
- Aa123455 (A tentativa falhada de cumprir requisitos de complexidade)
- 1234567890
- pass@123
- 111111
- qwerty (A sequência clássica do teclado)
Se alguma das suas credenciais coincide com esta lista, a sua conta não está apenas em risco; ela é considerada estatisticamente “já comprometida” por especialistas.
O Efeito “Skibidi” e a Geração Z
Uma novidade curiosa e preocupante nos relatórios de 2026 é a ascensão de termos da cultura pop e gírias da internet nas listas de senhas fracas.
Analistas notaram que a Geração Z, apesar de nativa digital, tende a criar padrões baseados em memes. O termo “skibidi”, por exemplo, apareceu pela primeira vez como uma das senhas mais hackeadas, provando que a obscuridade de uma gíria não oferece proteção contra dicionários de ataque globais.
Nomes de artistas pop, equipas de futebol e filmes de super-heróis também figuram no topo das listas de vulnerabilidade. Para um hacker, testar “TaylorSwift2025” é tão óbvio quanto testar “123456”.
O Novo Perigo: IA vs. Senhas Fracas
O que torna a lista deste ano mais crítica não são as palavras em si, mas a velocidade com que podem ser quebradas. Em 2026, ferramentas de quebra de senha assistidas por Inteligência Artificial (como variantes do PassGAN) tornaram obsoletas as regras antigas.
Veja a estimativa de tempo para uma IA descobrir a sua senha hoje:
- 7 caracteres (apenas letras): Instantâneo.
- 8 caracteres (letras e números): Menos de 1 minuto.
- 10 caracteres (complexa): Cerca de 2 semanas.
- 15 caracteres (apenas letras minúsculas): Séculos.
A lição aqui é matemática: o comprimento (tamanho da senha) vence a complexidade curta. É preferível usar uma frase longa e sem sentido do que uma palavra curta cheia de símbolos.
Como Verificar se Foi Exposto (Passo a Passo)
Não precisa de adivinhar se os seus dados vazaram. O serviço “Have I Been Pwned”, que recebeu uma grande atualização visual e funcional em meados de 2025, continua a ser a referência.
Siga este procedimento para uma auditoria rápida:
- Aceda ao site oficial haveibeenpwned.com.
- Insira o seu endereço de e-mail ou número de telemóvel na barra de pesquisa central.
- Clique no botão “pwned?”.
- Analise o resultado:
- Verde: Boas notícias. O e-mail não consta nas bases de dados vazadas conhecidas.
- Vermelho: Atenção crítica. O site listará quais serviços (ex: LinkedIn, Adobe, Canva) sofreram brechas e expuseram os seus dados.
Nota Importante: Se o resultado for vermelho, mude a senha desse serviço específico imediatamente. Se usava essa mesma senha em outros lugares (o erro comum de reutilização), mude em todos eles.
A Solução Definitiva: Abandone a Memória
O ser humano não foi feito para memorizar 50 senhas únicas de 16 caracteres. A insistência em tentar lembrar-se das credenciais é a causa raiz das senhas fracas.
Para resolver isto em 2026, adote um destes dois caminhos:
1. Gestores de Senhas (Password Managers)
Ferramentas como Bitwarden, 1Password ou o gestor nativo do seu smartphone (Google/Apple) criam, guardam e preenchem as senhas por si.
- Vantagem: Só precisa de decorar uma única “Senha Mestra”.
- Segurança: As senhas geradas são longas e aleatórias (ex:
Xy7#mP9@vL2$nR5), impossíveis de adivinhar por engenharia social.
2. Passkeys (Chaves de Acesso)
As Passkeys são a grande aposta da Google, Apple e Microsoft. Em vez de uma senha digitada, usa a sua face (FaceID) ou impressão digital para entrar em sites, tal como desbloqueia o telemóvel.
- Como ativar: Nas configurações de segurança da sua conta Google ou Amazon, procure por “Criar Chave de Acesso”.
- Por que é melhor: Uma Passkey não pode ser “roubada” num vazamento de servidor, pois a chave privada nunca sai do seu dispositivo.
Auditoria de Segurança Pessoal: O Que Fazer Hoje
Não deixe para amanhã. A atualização das listas de risco de 2026 é um lembrete de que os criminosos não descansam.
- Elimine o óbvio: Se usa “123456” ou o nome do seu animal de estimação, mude agora.
- Ative o 2FA: A Autenticação de Dois Fatores (aquele código que chega por App ou SMS) bloqueia 99% dos ataques automatizados, mesmo que a sua senha seja descoberta.
- Teste a frase-senha: Em vez de
Senha123, tente algo comoO-Ceu-Esta-Azul-Em-Lisboa-2026. É fácil de digitar, fácil de lembrar e matematicamente robusta.
Proteger a sua identidade digital começa por reconhecer que as senhas fracas são uma escolha, não uma fatalidade. Com as ferramentas disponíveis hoje, ser hackeado por usar “password” é um erro evitável.

