A Amazon voltou a cortar empregos e, desta vez, atingiu uma das áreas mais simbólicas da sua estratégia de longo prazo: a unidade de robótica. Segundo a Reuters, pelo menos 100 postos administrativos foram afetados na divisão responsável por desenvolver robots e sistemas de automação usados sobretudo nos armazéns da empresa.
A decisão chega poucas semanas depois de uma vaga muito maior de demissões, em janeiro, quando a empresa confirmou cerca de 16 mil cortes corporativos e deixou em aberto a possibilidade de novos ajustes. Com isso, a Amazon aprofunda uma reestruturação que já retirou cerca de 30 mil empregos de colarinho branco desde outubro.
O que houve
A área atingida agora é a que projeta robots e outras soluções de movimentação automatizada para os centros logísticos da Amazon. Em comunicado, a empresa disse que continua a rever as equipas para garantir que está organizada da melhor forma para inovar e servir clientes, mas não indicou o número exato de trabalhadores dispensados. A Business Insider avançou primeiro com os cortes, e a Reuters confirmou depois que o impacto mínimo foi de 100 funcionários administrativos.
O corte surge também pouco depois de a Amazon ter interrompido o desenvolvimento do Blue Jay, um braço robótico apresentado em outubro de 2025 para operar em espaços menores dentro dos armazéns e recolher vários itens ao mesmo tempo.
Porque importa
A relevância do corte está menos no número absoluto e mais no alvo escolhido. A robótica é uma peça central da narrativa da Amazon sobre eficiência, escala e redução de custos operacionais. Quando a empresa começa a cortar justamente nessa frente, o mercado recebe um sinal claro: nem sequer as equipas ligadas à automação estão imunes à pressão por simplificação, contenção de custos e revisão de prioridades.
Isso ganha ainda mais peso porque os cortes recentes foram associados, pela própria Amazon, ao aumento da eficiência trazida por inteligência artificial e à tentativa de reduzir camadas de gestão e burocracia. Embora a maior parte dos cerca de 1,5 milhão de trabalhadores da empresa continue em funções horárias nos centros logísticos, o ajuste sobre o lado corporativo já representa quase 10% da força de trabalho administrativa.
O que muda para a empresa
A consequência prática é que a Amazon passa a gerir duas pressões ao mesmo tempo: manter o discurso de inovação em automação e, ao mesmo tempo, travar ou redimensionar projetos que não entregam retorno no ritmo esperado. Isso pode atrasar iniciativas internas, reduzir equipas de experimentação e concentrar investimento apenas nas soluções com aplicação mais imediata dentro da operação.
Também reforça a ideia de que 2026 será um ano de escolhas mais duras dentro das grandes tecnológicas: investir forte em IA e infraestrutura, enquanto outras áreas perdem espaço, mesmo quando antes eram apresentadas como estratégicas para o futuro.
O que vem a seguir
A tendência agora é de continuidade da pressão sobre equipas corporativas nas big techs, sobretudo nas áreas onde as empresas acreditam poder automatizar funções, reduzir estruturas e canalizar recursos para IA e centros de dados. No caso da Amazon, isso significa que novos ajustes não podem ser descartados, mesmo em divisões que continuam oficialmente classificadas como prioritárias.
O corte na robótica deixa uma pergunta maior para 2026: até que ponto a corrida por eficiência vai continuar a conviver com projetos internos de inovação sem os enfraquecer pelo caminho. Na Amazon, essa tensão deixou de ser teórica e passou a mexer diretamente com as equipas que construíam o futuro automatizado da empresa.
