Os preços dos combustíveis nos Estados Unidos registaram uma forte subida nos últimos dias, numa escalada associada à guerra envolvendo os EUA, Israel e o Irão, que voltou a pressionar o mercado petrolífero. O agravamento já está a chegar diretamente aos consumidores americanos, com aumentos acima de 10% numa semana e receios de novos agravamentos nos próximos dias.
A média nacional da gasolina regular subiu para 3,32 dólares por galão, o nível mais alto desde setembro de 2024, enquanto o diesel avançou para 4,33 dólares por galão, o valor mais elevado desde novembro de 2023. A subida acompanha o salto do petróleo para acima dos 90 dólares por barril, num dos movimentos mais fortes dos últimos anos.
Os aumentos estão a ser mais sentidos em estados do Midwest e do Sul, incluindo territórios politicamente relevantes para os republicanos. Na Geórgia, por exemplo, o preço médio da gasolina subiu 40,1 cêntimos por galão numa semana, enquanto Indiana e Virgínia Ocidental registaram aumentos de 44,3 e 43,9 cêntimos, respetivamente.
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A subida representa também um problema político para Donald Trump, que prometeu baixar os custos da energia e reforçar a produção doméstica no segundo mandato. Com os combustíveis a encarecerem num contexto de inflação ainda sensível para as famílias, o tema pode ganhar peso no debate público antes das eleições intercalares de novembro.
Analistas admitem que a pressão ainda não terminou. Segundo estimativas citadas pela Reuters, o preço médio da gasolina poderá aproximar-se dos 3,50 a 3,70 dólares por galão se o petróleo continuar a subir e se persistirem falhas na oferta.
A tensão no Médio Oriente continua a alterar o equilíbrio do mercado, sobretudo porque qualquer perturbação nas exportações da região tende a aumentar a procura por crude norte-americano no exterior. Isso acaba por elevar também os custos para refinarias e consumidores dentro dos próprios Estados Unidos.
No caso do diesel, o risco económico é ainda mais sensível. Como este combustível é essencial para transporte, agricultura, indústria e logística, novas subidas podem refletir-se rapidamente no preço de alimentos, mercadorias e serviços, ampliando a pressão sobre o custo de vida.
