Pare de Sublinhar: A Neurociência revela os 5 métodos de estudo que funcionam

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Já passou horas debruçado sobre livros, a sublinhar cada parágrafo com marcadores fluorescentes, apenas para encarar uma folha de teste dias depois e perceber que a sua mente está completamente em branco?

Essa frustração é um fenómeno conhecido na psicologia cognitiva como a “Ilusão de Competência”.

A sensação de familiaridade ao reler um texto engana o cérebro, fazendo-o acreditar que reconhecer a informação é o mesmo que aprender a informação. Infelizmente, a ciência da aprendizagem mostra que os métodos mais populares — como reler e resumir passivamente — são, estatisticamente, os menos eficazes.

Recentemente, revisões científicas reafirmaram o que investigadores como John Dunlosky defendem há anos: existem métodos que funcionam, mas exigem esforço cognitivo deliberado. Abaixo, detalhamos as estratégias validadas pela neurociência para transformar a sua aprendizagem.

1. Evocação Ativa (Active Recall): O Motor da Memória

Se tivéssemos de escolher apenas uma técnica, seria esta. A Evocação Ativa é o processo de testar a si mesmo antes que a memória se consolide. Ao contrário da leitura passiva, a evocação força o cérebro a “buscar” a informação nos confins da memória neural.

Estudos indicam que estudantes que praticam a autotestagem retêm até 50% mais conteúdo do que aqueles que apenas releram a matéria quatro vezes.

Como aplicar na prática:

  • Feche o material: Após ler uma página, afaste o livro ou desligue o ecrã.
  • Pergunte e Responda: Pergunte a si mesmo: “O que acabei de ler?” ou “Quais são os conceitos-chave?”.
  • Fale ou Escreva: Explique a resposta em voz alta (como se estivesse a ensinar alguém) ou escreva numa folha em branco.
  • Verifique: Só depois de responder é que deve abrir o material para confirmar a precisão.

2. Repetição Espaçada: Vencer a “Curva do Esquecimento”

O cérebro humano é desenhado para esquecer. A “Curva do Esquecimento”, descoberta por Hermann Ebbinghaus, mostra que perdemos a maior parte do que aprendemos nas primeiras 24 horas se não houver revisão.

Em vez de estudar cinco horas num único dia (o famoso “marrar” antes do teste), a ciência prova que é mais eficaz estudar esse tópico em cinco sessões de uma hora, distribuídas por duas semanas. O intervalo obriga o cérebro a fazer esforço para recuperar a informação, fortalecendo a memória.

Roteiro de implementação:

  1. Primeira Revisão: 24 horas após o primeiro contacto.
  2. Segunda Revisão: 3 dias depois.
  3. Terceira Revisão: 1 semana depois.
  4. Quarta Revisão: 2 a 3 semanas depois.

Ferramentas como o Anki automatizam estes intervalos, mas uma caixa de flashcards física funciona perfeitamente.

3. Prática Intercalada (Interleaving): A Mistura que Fortalece

A intuição diz-nos para estudar em blocos: “Hoje vou estudar apenas Matemática durante 4 horas”. Isto cria uma falsa sensação de domínio porque o cérebro entra em “piloto automático”.

A Prática Intercalada propõe misturar diferentes tópicos. Por exemplo, em vez de resolver 20 exercícios de álgebra seguidos, resolva 5 de álgebra, 5 de geometria e 5 de cálculo.

Esta técnica obriga o cérebro a identificar constantemente qual estratégia deve usar. É crucial para exames reais, onde as perguntas não aparecem rotuladas por capítulo.

4. Interrogação Elaborativa: O Poder do “Porquê”

Memorizar factos isolados é frágil. A Interrogação Elaborativa consiste em transformar factos em explicações causais.

Passo a passo:

  1. Identifique o Facto: (ex: “As mitocôndrias produzem energia”).
  2. A Pergunta Mágica: Pergunte “Por que é que isto é verdade?” ou “Como é que isto acontece?”.
  3. Construa a Resposta: Não responda “porque sim”. Trace o mecanismo biológico ou lógico.
  4. Conecte: Relacione com algo que já sabe (ex: “É como uma central elétrica…”).

5. Codificação Dupla (Dual Coding)

O cérebro processa informações visuais e verbais por canais separados. Quando estuda apenas lendo, usa um canal. Quando combina texto com uma imagem ou esquema, cria dois caminhos de recuperação para a mesma memória.

Se o caminho verbal falhar durante o teste, o caminho visual serve de “chave de reserva”.

  • Dica: Mesmo sem talento artístico, desenhe mapas mentais ou esquemas toscos que representem o fluxo da informação.

O Papel Crítico do Sono (E do Telemóvel)

Nenhum destes métodos funcionará se a “máquina” biológica falhar. A consolidação da memória ocorre durante o sono profundo. Estudar 3 horas e dormir 8 é, cognitivamente, superior a estudar 6 horas e dormir 5.

Da mesma forma, o ambiente influencia a carga cognitiva. Notificações de telemóvel consomem a “largura de banda” da atenção. E este aparelho é uma fonte de distração (e de germes!), por isso, mantenha-o longe durante o estudo.

Conclusão: Abrace a Dificuldade

A transição de métodos passivos (fáceis) para ativos (difíceis) pode ser desconfortável. O investigador Robert Bjork chama a isto “dificuldade desejável”. Sentir que o estudo custa é sinal de que a aprendizagem está a acontecer.

Comece hoje a substituir o marcador fluorescente pelos flashcards e veja os seus resultados transformarem-se.

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