A integração de tecnologia nas escolas está no centro do debate educativo em 2025-2026, segundo um novo relatório da OCDE destacado pela Direção-Geral da Educação (DGE), lança luz sobre a eficácia real das ferramentas digitais na educação. O documento, intitulado The impact of digital technologies on students’ learning, desafia a crença popular de que a simples modernização das salas de aula resulta automaticamente em melhores notas.
Desenvolvido pela Universidade de Stavanger sob a orientação da Secretaria da OCDE, o estudo integra o ambicioso Programa de Trabalho 2025-2026 do Comité de Política Educativa. A conclusão central é um alerta aos gestores públicos e diretores de escola: o hardware é inútil sem estratégia pedagógica.
O mito do acesso tecnológico
Durante anos, políticas públicas focaram-se massivamente na distribuição de tablets e computadores. No entanto, a evidência recolhida nesta revisão sistemática demonstra que o simples acesso à tecnologia não é, por si só, garantia de melhoria educativa.
O relatório aponta para uma distinção crucial entre “digitalização de equipamentos” e “digitalização da aprendizagem”. As escolas que apenas substituíram o quadro de giz por ecrãs interativos, sem alterar a dinâmica de ensino, não registaram ganhos significativos no desempenho dos alunos.
Para que a implementação seja bem-sucedida, o estudo sugere que o foco deve migrar do dispositivo para a intencionalidade do uso. As ferramentas digitais na educação funcionam como amplificadores: elas potenciam boas práticas pedagógicas, mas também podem exacerbar a distração se não houver mediação do professor.
Soluções pedagógicas como chave do sucesso
O documento da OCDE é taxativo ao afirmar que são necessárias soluções pedagógicas que complementem os recursos técnicos. Isto significa que a tecnologia deve servir o currículo, e não o contrário.
A análise da Universidade de Stavanger identificou que os melhores resultados surgem quando as tecnologias são utilizadas para:
- Personalizar o ritmo: Plataformas que adaptam o conteúdo à velocidade de aprendizagem de cada aluno.
- Facilitar o feedback: Sistemas que permitem aos professores avaliar o progresso em tempo real, e não apenas no final do semestre.
- Promover a colaboração: Ferramentas que incentivam o trabalho de projeto entre pares, em vez do consumo passivo de vídeos ou textos.
A revisão da literatura destaca tanto os benefícios como os desafios. Se por um lado a motivação dos alunos tende a aumentar com o uso de gamificação e realidade aumentada, por outro, a gestão da atenção torna-se um desafio hercúleo para os docentes sem formação específica.
O papel do professor na transformação digital
Este estudo foi elaborado no âmbito do projeto Resourcing school education: Policies for the digital transformation of education and future-readiness of teachers. O próprio nome do projeto denota uma preocupação central: a preparação dos professores para o futuro.
A eficácia das ferramentas digitais na educação depende intrinsecamente da literacia digital do corpo docente. Não se trata apenas de saber ligar um projetor ou aceder a uma plataforma de videoconferência. Trata-se de saber quando usar a tecnologia e, mais importante, quando não a usar.
O relatório sugere que o investimento financeiro deve ser equilibrado. Para cada euro gasto em licenças de software ou novos computadores, deve haver um investimento proporcional em desenvolvimento profissional contínuo para os educadores. Sem professores confiantes no uso destas ferramentas, os equipamentos acabam muitas vezes fechados em armários ou subutilizados.
Uma avaliação equilibrada: Riscos e Oportunidades
A OCDE oferece uma avaliação equilibrada, fugindo ao tecno-otimismo cego e ao ceticismo radical. As meta-análises incluídas no relatório mostram que o impacto varia drasticamente dependendo da disciplina e da idade dos alunos.
Em disciplinas como Matemática e Ciências, softwares de simulação demonstraram ganhos claros na compreensão de conceitos abstratos. Já na leitura e escrita, os resultados são mistos, com alguns estudos a indicarem que a leitura em ecrã pode prejudicar a compreensão profunda de textos longos em comparação com o papel.
As principais conclusões para o cenário educativo de 2026 incluem:
- A tecnologia não substitui o ensino explícito: O professor continua a ser a figura central na estruturação do conhecimento.
- Qualidade sobre quantidade: Mais tempo de ecrã não significa mais aprendizagem. O uso deve ser intencional e focado em objetivos específicos.
- Equidade digital: Garantir que o uso de ferramentas digitais não aprofunda as desigualdades entre alunos de diferentes contextos socioeconómicos.
O futuro das políticas educativas
Este documento de trabalho serve como bússola para os decisores políticos nos próximos anos. Ao integrar o Programa de Trabalho 2025-2026, a OCDE sinaliza que a prioridade deixou de ser a “compra de tecnologia” para passar a ser a “inteligência na aplicação”.
A mensagem da DGE ao destacar este estudo é clara: a revolução digital na sala de aula só acontece quando a pedagogia lidera e a tecnologia segue. As ferramentas digitais na educação são recursos poderosos, mas exigem uma mão humana competente para transformar potencial em aprendizagem real.
À medida que avançamos no ano letivo, espera-se que as escolas utilizem estes dados para refinar as suas estratégias digitais, movendo-se de uma fase de adoção experimental para uma fase de integração madura e baseada em evidências.

